sexta-feira, 13 de junho de 2014



HOJE TEM ESPETÁCULO? TEM, SIM, SENHOR!!

Estamos vivendo um momento muito interessante em nossas paróquias e comunidades. Estamos vivendo a fase dos “eventos”.

Mas o que é um evento?

“A origem da palavra ‘eventos’ vem do termo EVENTUAL, o mesmo que CASUAL, um acontecimento que foge à rotina e sempre é programado para reunir um grupo de pessoas” (CAMPOS, WYSE & ARAÚJO, 2002)

Então, sempre que algo foge à rotina, pode ser considerado um evento. Entretanto o que tem acontecido é que algumas de nossas pastorais estão reduzindo sua atuação a isso, à realização de “eventos”: Encontro Disso, Noite Daquilo, Missa de..., Retiro Daquele Outro, Jogos, Shows, Hallel, Kairós, EvangelizaShow, etc..

- Endoidou! Agora vai dizer que essas coisas não devem fazer parte da caminhada pastoral!

Evidente que devem! Mas só se acontecerem EVENTUALMENTE. Quando se torna rotina acaba perdendo o sabor, não deixa mais aquele “gostinho de quero mais”. Aquele objetivo de “reunir um grupo de pessoas” não á mais alcançado, porque as pessoas cansam e não conseguem mais conciliar sua vida pessoal e outras atividades na comunidade, com os eventos.

Quando um setor ou uma pastoral resume seu trabalho (que é evangelizar) à realização de eventos – quase que mensais – está deixando de lado outro aspecto muito importante da obra da evangelização: o ir mais além!

- Ô, chato, mas quando se promove um evento não se vai mais além?

Até se vai. Se vai mais além das forças – porque a maior parte do trabalho acaba nas mãos de uma única pessoa; se vai além da paciência e da tolerância com as pessoas – porque tem que sair tudo do jeito que eu planejei e aquele(a) não está colaborando; se vai além do diálogo intra comunidade – porque as lideranças não estão ajudando, o CAEP não liberou verba, o padre não deu o apoio que eu queria; etc..

O “ir mais além” realmente importante não ocorre. Alcançar outras pessoas, outras vidas, outros lares, águas mais profundas, enfrentar lobos... essas coisas do Evangelho.

E é justamente por não termos êxito nesse “ir mais além”, que nos tornamos ditadores e quase que obrigamos todos os membros do setor/pastoral a se fazerem presentes no nosso evento. Não importa se ele/ela tem outro compromisso, se não tem condução ou condição, se está com problemas em casa... NÃO IMPORTA!!! TEM QUE IR!!! É COMPROMISSO DE CRISTÃO!!!

Nós nos contentamos com o esplendor do nosso evento, com a animação da banda, a empolgação (bem momentânea) dos participantes, fotos, vídeos, exposição nas redes sociais... e isso nos basta.

‘O evento foi ótimo!’ – dizem depois

Mas a evangelização foi feita? O anúncio chegou? Teve algum sinal de conversão?

‘Ah, sim, vai ter muito mais gente envolvida no próximo!’ – iludem-se

Envolvidas? Em que? Em preencher crachá, encher e pendurar balões, espalhar cadeiras, Cuidar do cachorro quente e do refrigerante?

Quer um exemplo de algo que realmente envolve? Missões Populares! Sair à rua numa comunidade que você não conhece; bater palmas no portão de um desconhecido que pode nem te receber cordialmente; não importa se tem sol ou vento (com chuva até entendo que fica mais difícil) ir além dos nossos muros e das nossas grades; sair do conforto de nossa casa, nossa sala de reuniões, nosso salão paroquial; sem banda de música; sem luzes; e até sem internet. Entregar a quem te abrir a porta um “A Paz Esteja Contigo!”. Sem discurso, sem pressão, apenas anunciando e mostrando nosso Jesus que não se ostenta, não impõe e ama.

Isso é ir mais além, a meu ver.

Queridos, não deixemos de lado os nossos eventos, não é essa a intenção deste artigo. Mas que nossos eventos sejam realmente EVENTUAIS. - “Façam uma coisa, mas não negligenciem a outra”(Mt 23, 23) - Que eles sejam o ponto de partida ou de chegada de um período de caminhada, um ano, por exemplo.

E entre um e outro, coloquemo-nos a serviço nos gestos menores e muito mais significativos e produtivos. – “Não basta dizer que são filhos de Abraão, antes façam coisas que mostrem que vocês o são” (Mt 3, 8-9)

Mostre Jesus, revele o amor de Deus a tantos quanto você possa, mas sem banner ou alto falante... o seu rosto é o rosto onde Jesus quer ser visto; sua voz é a voz pela qual Jesus quer falar; seu olhar é o olhar com que Jesus que ver os que Ele ama. São os seus passos que vão levar Jesus aonde Ele quer ir; São seus braços que vão dar o abraço que Jesus quer dar; É através de suas mãos que a bênção de Deus chegará a quem precisa. E você não precisa de palco nem microfone pra isso.


E se isso não servir para que Deus seja conhecido e querido, não é um espetáculo que o vai.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA


Há dias reencontrei um antigo colega de trabalho, que hoje reside numa cidade vizinha. Ele, evangélico, falou-me da caminhada e do trabalho junto à sua igreja e me convidou para visitá-los quando estivesse “por lá”. Recentemente atendi ao seu convite.

O templo de sua comunidade é pequeno e modesto, uma antiga casa de moradia adaptada. Em anexo uma espécie de edícula utilizada para confraternizações e onde as crianças frequentam a escolinha dominical. 

Num terreno ao lado, comprado há pouco, ergue-se uma construção que ele me informou ser a futura instalação de uma “creche beneficente”.
E ele me explicou:

- Muitas mães aqui da igreja trabalham e não tem onde deixar os filhos. Esta creche é para elas, gratuitamente. Alguns voluntários vão se revezar no atendimento. Eles são fiéis no dízimo, nada mais justo do que receberem algum retorno.

Confesso que saí constrangido e me sentindo até um pouco envergonhado. E fiz o caminho de volta pensando sobre isso e principalmente sobre como nós católicos, em nossas comunidades fazemos uso do dinheiro que arrecadamos.

Não quero aqui fazer comparações entre os dízimos católico e evangélico, nem quanto ao valor, nem quanto à forma como é cobrado ou aplicado.

Mas uma coisa é certa:

Com raras exceções, as comunidades católicas estão aplicando muito mal o dinheiro que entra em seus cofres. Nosso dízimo, segundo o discurso, tem as dimensões social, pastoral e missionária. Como tem sido feita esta distribuição em cada comunidade? Como os CAEPs e CPCs tem gerenciado isso?

O exemplo da creche acima me fez lembrar que todo o dinheiro que arrecadamos mensalmente na comunidade vem do dízimo (oferta do coração), mas a arrecadação mais vultosa do ano é aquela proveniente das festas dos padroeiros. E por causa dessas festas nós passamos o ano inteiro vendendo rifas, bingos, almoços, festas dançantes (que é a mesma coisa que baile)...

- Ah, não é não, Anselmo! Festa Dançante é coisa de igreja, baile é coisa do mundo!

Até seria, não fosse o paralelismo:
1º - a banda que anima um, anima o outro;
2º - o repertório é o mesmo para os dois (com músicas bem atuais)
3º - os “comes e bebes” também são os mesmos

A única diferença está no convite, pois o convite para uma festa dançante sempre traz o nome do padroeiro (mesmo que ele não dance). Inclusive, lembro-me de um convite que circulou pela cidade há alguns anos que tinha em letras garrafais: “BAILE DA IMACULADA”, e uma imagem da Imaculada Conceição de fundo. Cômico, se não fosse trágico!

Mas voltemos ao tema de hoje.

Passamos o ano inteiro vendendo, vendendo, vendendo... pedindo, pedindo, pedindo. E na semana seguinte à festa vamos para os programas radiofônicos “divulgar o resultado da festa”: tantos milhares de reais. E agradecemos a Deus, ao padroeiro, ao padre tal que veio de fora e “fez uma missa muito animada”, ao povo que prestigiou a semana e o almoço de domingo, etc..

- Tá, Anselmo, mas o que tem de mal nisso?

Até aqui, não muito.

Até porque o foco deste comentário está sobre a aplicação dos recursos advindos das contribuições mensais do dízimo ou da festa e suas promoções.

ALGUMAS de nossas lideranças (principalmente CAEPs e CPCs) só se preocupam com a igreja de pedra. Não que não precisemos de um templo, claro que precisamos! Mas não necessitamos de templos de luxo.

Há uma preocupação desmedida em construir esta igual aquela, ou melhor do que a outra. Parece que estamos na Idade Média, em que as cidades competiam para ver qual fazia a Catedral mais imponente e majestosa.

E o pior é que a preocupação está só no que pode ser visto. Há capelas que todo ano recebem pintura nova, reparo no reboco, nas portas e janelas, enquanto os insetos devoram a armação de madeira da cobertura. Será que é porque a armação não aparece? Há capelas que em menos de 10 anos já trocaram de sacrário três vezes. Será que o Santíssimo Sacramento (Jesus Cristo) está tão exigente assim quanto à sua morada? Há comunidades em que um CAEP construiu uma capela de adoração, veio o outro CAEP e desmanchou. Será... o que? Há capelas em que o espaço celebrativo é reformado todos os anos, enquanto que o espaço formativo (salas de catequese e afins) não recebem um único investimento. Será que basta celebrar? A formação pode ser de qualquer jeito?

E os salões, então...

Primeiro: nem deveriam existir. Hoje sai mais barato locar uma cobertura para um dia ou dois de festa do que construir e manter um salão para ser usado uma ou duas vezes no ano. Gastam-se milhares de reais para se construir churrasqueiras que só serão utilizadas uma vez no ano. Equipa-se cozinhas com toda sorte de utensílios, que acabam sendo usados apenas uma vez no ano.

E tudo com o dinheiro que o povão doa. E quando o povão precisa usar de toda essa estrutura que financiou, dão de cara com uma burocracia desgraçada: taxas elevadas, ofícios, requerimentos, autorização deste ou daquele... daí surgem dissensões e divisões na comunidade... tudo a ver com o ideal cristão de unidade.

Queridos, olhemos para trás. Não, não, mais atrás.

Lá para aquela Igreja que ainda precisava alcançar todos os cantos do mundo, que era perseguida e martirizada, que não podia construir um templinho sequer... ela cresceu e alcançou o mundo nos sótãos dos sobrados, nas grutas ao redor da cidade. A Igreja de Cristo é a igreja das catacumbas... onde os fiéis recebiam o pão da Palavra e da Eucaristia dividindo o mesmo espaço que os defuntos... A Igreja de Cristo se reunia pelos campos e à beira dos lagos, e não era o local que importava, mas as verdades ensinadas e vividas, o testemunho na vida diária.

Se hoje, tendo alcançado já quase todos os cantos do mundo, temos condições de ter um templo onde nos abrigamos para celebrar, Deus seja louvado por isso. Mas não vamos nos paganizar achando que é só nas obras de pedra que estamos agradando a Deus. O que realmente agrada a Deus é o quanto nossa prática cristã tem transformado os corações. E pra isso não são necessários templos suntuosos e luxuosos, mas a simplicidade de um estábulo de Belém, o acolhimento de um jardim das oliveiras, o aconchego de um cenáculo de Jerusalém.

Nossas paróquias são ricas e tem dinheiro suficiente para se manterem modesta e tranquilamente e para colaborar com o social e o missionário.

Este artigo não visa fazer com que paremos de dar nossa contribuição financeira, principalmente no dízimo, mas visa conscientizar os fiéis a serem mais exigentes na prestação de contas de suas lideranças e na cobrança de uma aplicação mais cristã e menos pagã dos recursos.

Queridos CAEPs e CPCs, vamos fazer um melhor uso do dinheiro que arrecadamos? Vamos olhar mais para a necessidade do nosso povo e parar de querer mostrar coisas? Vamos parar de ostentar templos e salões, pois SÓ isso não faz de vocês bons cristãos, pelo contrário, infelizmente? Vamos lembrar o que disse Jesus em Mt 24, 1-2?

“Jesus saiu do Templo e ia embora quando seus discípulos se aproximaram dele para mostrar as construções do Templo. Jesus lhes disse: Vocês estão vendo tudo isso? Eu garanto a vocês, aqui não ficará pedra sobre pedra, tudo será destruído.”

40 anos depois esta profecia se concretizou, e só restou o Muro das Lamentações.



E aquele povo que deu mais valor ao Templo e seus ornamentos e desprezou o verdadeiro Evangelho, chorou lágrimas de sangue.

Autor: Anselmo José Ramos Neto

segunda-feira, 21 de abril de 2014

“DEI-VOS O EXEMPLO” 

No evangelho escrito por João, no capítulo 13, versículo 15, encontramos a seguinte frase de Jesus: 

 “Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz” 

Um certo pregador brasileiro, numa de suas pregações, usou a seguinte afirmação: 

 “A grandeza do Evangelho é que ele não está calcado em falácia, mas em praticidade de vida” 

Essas duas sentenças nos levam (ou pelo menos deveriam nos levar) a refletir sobre a nossa “prática” cristã. Tem sido a nossa prática, verdadeiramente prática? Não estamos nos contentando, e às vezes até nos ‘gabando’ de uma prática excessivamente teórica? 

- ‘Pô’, Anselmo, tu ‘tá’ me confundindo! 

Vou tentar esclarecer, então. Dentro de nossas comunidades cristãs – aliás, isso acontece em todos os segmentos da sociedade, mas vamos nos ater ao âmbito eclesial – existem muitas pessoas que só falam. Pregam, ensinam, admoestam, exortam, convidam... mas só isso. Existem também aquelas que só fazem; correm daqui para ali, fazem um serviço braçal acolá, estão sempre dispostas a sair do seu conforto para “fazer” alguma coisa. E existem aqueles que falam e fazem. 

Mas, primeiro vamos nos concentrar no fazer, até porque é o verbo que Jesus utiliza [duas vezes] no trecho acima. 

Queridos, como estamos equivocados quanto ao verdadeiro sentido do “fazer”.  

Firmamos em nosso entendimento que esse “fazer” consiste primeiramente em algumas ações, tais como: organizar um encontro, um retiro, ornamentar a igreja, o salão, a sala, reformar o teto, o telhado, a cozinha, o presbitério, o coro (que nem se usa mais), preparar e ensaiar músicas, coordenar isso, dirigir aquilo, presidir celebrações, assessorar, ir a certa reunião, estar em certo curso, para depois: falar sobre o que foi dito lá, explanar sobre o que foi aprendido acolá, repetir o que foi ouvido aqui, etc., etc., etc.. E são tantos “afazeres” que o cristão acaba muitas vezes se sentindo cansado e sobrecarregado.

Não quer cansar? Não faz! Não quer se sobrecarregar? Não assume tanta coisa! 

- Tu ‘tá’ querendo dizer que essas coisas não são importantes? 

São importantes, mas não são primordiais. São até necessárias, mas não são imprescindíveis. 

O essencial, o imprescindível, o primordial é ser cristão. E não se é verdadeiramente cristão só fazendo essas coisas. Não é o ornamento da sala de reuniões ou o cronograma bem elaborado do encontro que te faz um bom cristão. Não é o número de encontros e reuniões de que você participa que faz de ti um cristão comprometido com o Evangelho. Não é a quantidade de construções e reformas que você coordena e faz, que garantem que você é uma pessoa de Fé. E, definitivamente, não é o número de atividades que você coordena, que faz de você um verdadeiro discípulo missionário. 

Tudo isso é importante, mas, como ensina Hans Küng, é apenas a forma. A essência é Cristo! E o que Ele quer que façamos, é que sejamos como Ele, em tudo. Até porque, como Ele mesmo disse: Dei-vos o exemplo para que FAÇAIS. 

Mas sobre isso pouco ou nada se faz, embora muito se fale. 

B. F. Skinner, um importante teórico da psicologia comportamentalista, escreveu o seguinte: 

“É bom incentivar as pessoas, ensiná-las. (...) Mas a longo prazo, estamos simplesmente passando a responsabilidade adiante. (...)Nós mesmos temos que fazer o trabalho que queremos que seja feito. Não basta cobrar as outras pessoas para que o realizem”. 

O que temos hoje na Igreja é um bando de pseudointelectuais achando que sabem tudo e que todos os seus ouvintes devem fazer tudo o que eles ensinam, embora eles mesmos estejam mais preocupados com os outros afazeres do que em praticar o que ensinam. Bom lembrar que o próprio Jesus já condena isso em Mt 23, 3.23. 

Falam incansavelmente, com belos, emocionantes e emocionados discursos e sermões, em coisas cristãs como o perdão, a fraternidade, o acolhimento sem preconceito, a caridade (material ou espiritual). Fala-se sobre servir gratuitamente ao irmão; fala-se em paz, harmonia e unidade; fala-se... fala-se... 

E fala-se. 

Mas só fala-se. 

É ínfimo o número dos que realmente praticam essas coisas. 

- Que radical, Anselmo! 

Talvez. Mas o que se presencia, principalmente entre “lideranças”, é um grande número de exemplos de rancor e mágoa, olhares atravessados para quem não comunga da mesma ideia, costas voltadas para aqueles que a vida desfavoreceu, um rol de justificativas para os gestos de egoísmo, tribunaizinhos de sacristia que se encarregam de julgar e condenar uns aos outros, um leva e traz infindável de reclamações, queixas e denúncias sobre este ou aquele irmão, movimentos e pastorais que medem forças como se fossem partidos políticos, y otras cositas más. 

Se fossemos relacionar em duas colunas o que falamos e o que fazemos, veríamos que a coluna do FAZER é tão grande quanto a do FALAR, mas infelizmente uma coluna se opõe à outra. A falácia cristã e a prática estão bem dissonantes. 

Como dizia Skinner: Por que não fazemos nós mesmos aquilo que queremos que seja feito? Por que não somos nós os primeiros a dar o exemplo? Por que não ensinamos, também na prática, o que e como deve ser feito. 

E que tal se colocássemos em nossas cabeceiras Mt 23, e que esse texto fosse o guia do nosso comportamento cristão? 

Pax Domini!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

MÊS DE NOVEMBRO NA IGREJA

O mês de novembro na igreja é marcado por importantes momentos de reflexão e celebração.


Logo no primeiro dia do mês a igreja celebra a "Festa de Todos os Santos". A liturgia desta solenidade traz na primeira leitura um trecho do livro do apocalipse, onde São João tem uma linda visão do céu, com Jesus sentado no trono tendo diante de si uma multidão incontável, trajando vestes brancas. "Estes são os que vieram da grande tribulação; lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do cordeiro". 

É com essas palavras que o ancião informa a João quem são aquelas pessoas que estão diante do trono. 
A festa de todos os santos é então a celebração da vida eterna junto de Deus, e nos traz a certeza de que seguindo Seu caminho nesta terra, chegaremos um dia a ser contados entre essa multidão que hoje já faz parte da igreja triunfante.




No dia seguinte a todos os santos celebramos o Dia de Finados, ou o Dia dos Fiéis Defuntos, que é quando rezamos por todos os que já foram tirados do nosso convívio. 
Existe uma diferença entre as palavras finados e defuntos. A primeira significa "aquilo que findou", aquilo que acabou"; a segunda vem do latim e significa "aquele que cumpriu a missão", "aquele que desempenhou completamente". Conforme o ensinamento da igreja, aqueles que partem não se extinguem, apenas concluem sua passagem por esta vida.
O Dia dos Fiéis Defuntos, portanto, é o dia em que a igreja celebra o cumprimento da missão das pessoas queridas que já faleceram, através de preces a Deus por seu descanso junto a Ele.
É o dia do amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca, mesmo que esteja distante; amar é saber que o outro necessita de nossos cuidados e de nossas preces mesmo quando já não o podemos ver. Pois a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus e com os irmãos, agora e para sempre. Nisso consiste a comunhão dos santos.

Outra festa importante no calendário litúrgico católico é a Festa de Cristo Rei, que é celebrada no último domingo do ano litúrgico. No domingo seguinte já entramos no advento e, portanto, num novo ano litúrgico. 
Começamos o ano nos preparando para o nascimento de Cristo e terminamos celebrando-o como Rei do Universo. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim de todas as coisas.
A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI em 1925. Instituiu que fosse celebrada no último domingo de outubro. Agora, na reforma litúrgica passou ao último domingo do ano litúrgico como ponto de chegada de todo o mistério celebrado, para dar a entender que Ele é o fim para o qual se dirigem todas as coisas. 




domingo, 13 de outubro de 2013

OUTUBRO - MÊS DAS MISSÕES

Em outubro a Igreja Católica celebra o mês das missões.  Trata-se do mês no qual toda a comunidade se concentra em um traço muito característico da identidade cristã: ser missionário.  Ou seja, ser enviado a levar a todos e ao mundo inteiro a Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo.
A comunidade eclesial como um todo é então convocada a celebrar e conscientizar-se mais profundamente de que a Igreja não  existe para si mesma.  Existe, sim, como enviada ao mundo para anunciar e fazer acontecer o sonho de Deus: a justiça, a paz, a fraternidade.
Missão significa envio.  O missionário é alguém enviado como portador de um encargo importante. Até a um tempo atrás a figura do missionário era mais ligada àquele que – normalmente religioso ou sacerdote – era enviado a terras distantes, onde Jesus Cristo não era conhecido; a continentes não cristãos, como a Ásia ou a África para ali plantar a fecunda semente da cruz do Senhor Jesus. 
Hoje é muito claro para a Igreja de que missionários somos todos, pelo simples fato de sermos batizados e inseridos no mistério pascal de Jesus Cristo.  Somos missionários porque servidores da única missão, que é a de Jesus Cristo.  E esta missão consiste em “anunciar aos pobres a Boa nova, devolver a vista aos cegos, fazer os coxos andarem e trazer a libertação aos cativos e proclamar um Ano da Graça do Senhor”(cf. Lc 4, 16-21). 
Portanto, todo lugar, não só a Ásia ou a África; não apenas as latitudes longínquas são terra de missão onde os cristãos são chamados a ir sem bordão nem alforge, carregando apenas a Palavra do Senhor a semear a boa semente do seu Evangelho de amor, justiça e paz.
Na verdade, a fé e a experiência de Deus para a fé cristã estão longe de ser um fruir impune das delícias e maravilhas da contemplação dos mistérios eternos. Ao contrário, consistem  na consciência de saber-se enviados em missão  ao mundo, e em assumir a própria responsabilidade em relação àqueles e àquelas que, desde o seio da realidade desfigurada e injusta, são excluídos das benesses do progresso e clamam por justiça e compaixão.
As grandes cidades, portanto; suas periferias; seus centros e conglomerados urbanos, são terra de missão. São lugares sedentos e ansiosos por ouvir proclamar a Verdade do Evangelho como água pura que desaltera a sede e devolve a esperança aos que não a têm mais. 
Como padroeiros das missões, a Igreja designou dois grandes santos que têm vidas aparentemente muito diversas:

O primeiro é São Francisco Xavier, que viveu no século XVI. Jesuíta da primeira hora,  enviado pelo superior Inácio de Loyola não hesitou em lançar-se sozinho no caminho do Oriente a fim de conquista-lo para Cristo.  Após uma viagem onde passou por todas as provações e penúrias possíveis a um ser humano, aportou na Índia, passando dali ao Japão e morrendo às portas da China.  Xavier é o protótipo daquilo que um missionário cristão deve ser: corajoso, intrépido, coração ardendo de amor e de zelo pelo Evangelho, humilde e desejoso apenas de servir ao Senhor e a sua Igreja.
A outra padroeira das missões, no entanto, nos apresenta um perfil bem diferente do de Xavier.  Mulher, jovem, morreu aos 25 anos no Carmelo onde entrou aos 15 e do qual nunca saiu:  Teresa de Lisieux, Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face. Jovem francesa do século XIX, de temperamento delicado e forte, Teresinha soube, desde dentro do seu convento, viver plenamente a vocação missionária que é o distintivo de todo cristão. Sua vida e seu testemunho nos mostram neste mês das missões que todo cristão, em qualquer lugar ou situação em que esteja, pode ser um missionário, um enviado e portador da Palavra de Deus.

terça-feira, 16 de outubro de 2012


SÃO FRANCISCO DE SALES



Nasceu em Sabóia em 1567, primogênito de 13 irmãos; recebeu o doutoramento em leis aos 24 anos mas recusou uma brilhante carreira e decidiu estudar para ser sacerdote, apesar da oposição da família. Foi ordenado em 1563, tornando-se reitor em Genebra, na Suiça. Após foi para Chablais, um cantão suíço, onde foi pároco e trouxe de volta cerca de 8.000 calvinistas de volta à igreja católica.
Em 1599 foi indicado como bisco coadjutor de Genebra, tendo tornado-se bispo em 1602. Foi figura marcante durante a contra reforma e ficou famoso por sua sabedoria e ensinamentos.
Ele e Santa Joana Francisca de Chantal, de quem foi orientador espiritual, criaram a Ordem da Visitação, uma ordem religiosa contemplativa. Também fundou várias escolas e estabilizou a igreja na região. Foi também diretor espiritual de São Vicente de Paulo. 
Faleceu em Lyon em 1622 e seus restos mortais encontram-se na igreja da Visitação, em Annecy.
Dois de seus escritos: "Introdução à Vida Devota", e "Tratado do Amor de Deus", são considerados clássicos espirituais. Foi beatificado no ano de sua morte e foi a primeira beatificação a ser formalizada na Basílica de São Pedro. Foi canonizado em 1655 pelo papa Alexandre VII e em 1877 foi declarado Doutor da Igreja pelo papa Pio IX. Em 1923 o papa Pio XI o declarou patrono da imprensa católica.
Em 1632 na exumação de seus restos mortais, seu corpo encontrava-se em perfeito estado e inclusive com elasticidade nos braços, e ao mesmo tempo uma fragrância doce emanava de seu túmulo.
"Onde estivermos podemos e temos que aspirar a uma vida perfeita". Assim escreveu ele no seu "Filotéia - Introdução à Vida Devota".

Escolhemos São Francisco de Sales para patrono deste blog, por tratar-se de alguém que durante seu ministério buscou levar a todos, de maneira simples e humilde, a conhecer mais e melhor a igreja e o próprio Cristo, o que também é nosso objetivo.

São Francisco de Sales, roga por nós e abençoa nosso trabalho evangelizador.

Salve Jesus! Salve Jesus! Salve Jesus!