sábado, 25 de julho de 2015

AUTO ESTIMA SAUDÁVEL OU ARROGÂNCIA?


Você já reparou – e em alguns lugares isso é mais forte - que as pessoas  tem uma crise com a tal da humildade? 

É, HUMILDADE!. 

Algumas pessoas acham que “ser humilde” é se rebaixar, se inferiorizar. E ao mesmo tempo nós combatemos a todo custo as pessoas que “se acham” muito.

Você já deve ter visto isso.

Mas reconhecer o seu próprio valor é uma coisa saudável e demonstra uma percepção boa, positiva de si mesmo. O problema é quando nós cristãos, para nos acharmos muito bons precisamos diminuir os outros.

É muito estranho esse tipo de comportamento entre nós, porque se considerarmos a Sagrada Escritura, por exemplo, o livro de Provérbios, ela diz:

“Que outros façam elogios a você, não sua própria boca” (Pr 27, 2)

A Bíblia também diz que “a boca fala daquilo que o coração está cheio”, neste caso, de tanto você alimentar uma ideia de suposta superioridade, você acaba exteriorizando-a de alguma forma.

Não estou aqui dizendo que há algo de errado em se sentir especial, amado e ter uma auto estima saudável.

Nada de errado, mesmo!

O problema é quando estamos mais preocupados com a atenção pra nossa vida do que para o Deus da vida.

Entende a diferença?

E não pense que não existem pessoas assim. Alguns, mesmo sendo seguidores de Cristo, não estão tão preocupados em ganhar pessoas para Cristo, e sim em ganhar pessoas para si, para o grupo dos seus fãs e admiradores.

Um outro exemplo bíblico, para este caso, é João Batista.

João Batista era “o cara” do momento, antes de o povo conhecer Jesus. Inclusive alguns achavam que ele era o Messias. E ele tinha “um monte” de seguidores,

A fanpage dele bombava

Muita gente atrás dele, cheio de fãs...

E eis que entra em cena Jesus.

E quando Jesus começa a destacar, qual foi a reação de João Batista?

Ciúme? Medo de perder o prestígio? Medo de não ser mais o foco das atenções?

Não. Nada disso.

Sabe o que ele faz?

Ele mostra Jesus aos seus seguidores e diz:

“Aquele ali é o Cordeiro de Deus. E é importante que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30)

Meu irmão, quando Cristo aparece verdadeiramente na sua vida e você tem a oportunidade de fazer a experiência dEle, você não faz nenhuma questão de aparecer. Você quer mais é saborear aquele momento e depois sim, deixar transparecer em seus gestos e atitudes, o Cristo que vive em você.

Além disso, a bíblia sempre condenou a tal da arrogância, da prepotência, dessa sensação de nos acharmos sempre mais e melhores do que os outros, e às vezes até auto suficientes.

E qual foi o pecado original?

Exatamente este: a arrogância e o desejo de ser Deus. Isso também foi o que levou Lúcifer e se rebelar contra Deus.

A arrogância às vezes faz com que nós cristãos nos consideremos melhores  que Deus.

Verdade! Quer ver alguns exemplos?

Deus não devia permitir que tal pessoa existisse! Como é que Deus permite que tal pessoa se dê bem na vida?

É o meu julgamento acima do julgamento de Deus.

A carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 2, 3) aida nos diz:

 “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.”

Isso é ser cristão de verdade.

Ainda o livro de Provérbios:

“A humildade precede a honra, e toda arrogância será castigada” (Pr 18, 12)

Ser arrogante, ser meio metido – como costumamos dizer – é uma tentação pra quase todo mundo, inclusive os cristãos. Não fosse assim o profeta Samuel não teria dito:

“Não falem tão orgulhosamente, nem saia de suas bocas tal arrogância” (1Sm 2, 3)

Cada pessoa tem seu motivo próprio pra ser arrogante. Alguns se tornam arrogantes por causa da sua beleza física, outros por causa da riqueza, outros por serem bem sucedidos, outros por serem padrões de Inteligência ou pela bagagem de conhecimento que carregam.

Quanta bobagem!

A beleza física se vai com o tempo.
O sucesso é passageiro, e às vezes acarreta tristes perdas.
A riqueza pode nos ser tirada num piscar de olhos.
A inteligência, bom, há quem diga que o conhecimento não ocupa lugar (é verdade) e uma vez adquirido não se perde. Que tal o exemplo de alguém em avançado estágio de Alzheimer ou com alguma grave lesão cerebral?

Nada do que temos aqui nos pertence, nem a beleza, nem a riqueza, nem o conhecimento. Tudo vai ficar aqui depois da nossa partida.

Entretanto, o risco de ser orgulhoso e arrogante é de todo mundo: rico ou pobre, famoso ou anônimo.
Não caiamos nesta cilada.

O verdadeiro seguidor de Cristo considera seus irmãos superiores a si mesmo, e nunca se acha acima da média.

Afinal, conforme diz a Bíblia, todos pecamos, logo todos carecemos da Graça de Deus.

E a nós, basta-nos a Sua Graça.

E antes que você leia este texto pensando em julgar este ou aquele irmão, que tal considerar estes trechos bíblicos apresentados e na existência do orgulho e da arrogância em você mesmo?

É muito fácil julgar quem se destaca, e todos nós sabemos que para aqueles a quem Deus deu muito, muito também lhes será cobrado.

Isso quer dizer que todos temos contas a prestar com o Criador.

Não confundamos humildade com baixa auto estima;

Mas também não confundamos auto estima saudável com arrogância e prepotência, e muito menos a usemos como justificativa para humilhar nosso semelhante.

Deus te abençoe!


Texto original – Fabiana Bertotti 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O "SER" ADOLESCENTE
Afetividade - Sexualidade - Respeito


 É cada vez mais comprometedora a situação dos nossos adolescentes no que diz respeito à sexualidade e à afetividade. Uma grande confusão é provocada em suas mentes pelas informações que a mídia fornece. Desde a música até nas telenovelas, pululam estímulos sexuais sem qualquer senso de moralidade ou compromisso com a decência. E este é o contexto em que tentamos educar nossos filhos e ajudá-los a atravessar a fase da adolescência, sem que se contaminem ou sucumbam a esses apelos. 

 Por esse motivo usei a palavra “comprometedora”, no início do parágrafo anterior. É porque cada vez mais somos chamados a enfrentar com os jovens e adolescentes este desafio que é saber filtrar o que é importante, o que tem valor e o que não será prejudicial ao seu crescimento. Muitos pais perdem grandes oportunidades porque se posicionam como rivais dos seus filhos na adolescência, e, assim como, peculiarmente, os adolescentes estão sempre discordando, os pais se armam para ter sempre um discurso de repreensão e autoritário. Não se trata de enfrentar “os” adolescentes nesta fase, mas, repito, enfrentar “com os” adolescentes esta fase da vida. 

 É que este período, o da adolescência, é aquele tão esperado por uma parcela de jovens e ao mesmo tempo tão temido por uma parcela grande dos pais. É a hora de ganhar o mundo, sair de casa, fazer e conhecer coisas novas. É a hora da pseudo independência. E é temido pelos pais justamente porque torna-se grande a dificuldade de manter o controle sobre seus filhos. 

 O que os adultos esquecem – sim, esquecem, porque todos já passaram por isso – é que este é um período extremamente crítico na vida de um ser humano. Basicamente três grandes questões tornam-se foco do jovem: 1ª – Quem sou, do que eu gosto, o que eu quero (ou não quero) da vida, o que eu quero ser? 2ª – Descobertas no campo sexual, alegrias, frustrações, primeiras experiências... 3ª – Escolha profissional, continuidade dos estudos, competição do mercado de trabalho. 

 Para enfrentar essa jornada, o jovem precisa encontrar seu caminho, que é único, só dele. E é exatamente neste processo que ocorre o distanciamento dos pais e os constantes e inevitáveis choques. 

 Nesta fase também há o risco de o jovem ingressar no consumo de drogas ou álcool. 

 E o jovem, mesmo que não perceba, tem consciência de tudo isso. E eles tem coragem e energia para encarar a adolescência de peito aberto, a começar pelas experiências afetivas e sexuais. 

 Particularmente acredito que os adultos poupariam muita energia e evitariam muitos conflitos se buscassem sintetizar seu trabalho de educação em poucas coisas importantes. De nada adianta gerar debates intermináveis e querer que o adolescente se comporte exatamente da sua maneira. Basta focar em questões práticas e indiscutíveis. Uma delas, a meu ver, é o respeito. 

 Na cartilha educacional dos pais de adolescentes esta palavra deveria fazer parte de todos os capítulos. Orientar o jovem para que respeite a si mesmo como pessoa, que respeite seus desejos, suas ideias, suas convicções, seus limites, enfim, sua essência. E somado a isso, o respeito ao próximo, à pessoa que está a seu lado, seja um amigo ou namorado. E tem que respeitar no outro tudo aquilo que deve respeitar em si mesmo. Talvez esse seja o grande segredo para um relacionamento feliz, prazeroso e maduro, que promova o crescimento próprio e mútuo. 

 A partir do momento em que os pais limitarem-se a orientar nesse sentido, a apontarem esta meta, a do respeito, e a partir do momento em que os adolescentes e jovens concentrarem seus esforços e atenção nesta prática, muita coisa será diferente. Os apelos externos não terão mais tanta força para confundi-los e perdê-los, e aquela seleção que deve ser feita em relação aos estímulos da mídia, será mais criteriosa e eficaz. 

 Afetividade e Sexualidade: duas peças fundamentais na construção de um ser humano, que são disponibilizadas num período que requer tanto cuidado e atenção: a adolescência. 

 Uma pessoa que é bem orientada e resolvida afetiva e sexualmente na juventude, inequivocadamente será uma pessoa assídua na prática do respeito, da compreensão e que saberá viver os bons momentos da vida (e os não tão bons também) com clareza de ideias e discernimento.

Autor: Anselmo J Ramos Neto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O surgimento das ideologias anticristãs


Hoje, mais do que nunca, é preciso compreender que existem ideologias interessadas na destruição da Igreja. Um exemplo claro de uma intenção ideológica é a própria historiografia recente da Igreja. É muito fácil notar que existe um preconceito contra a Igreja e ele foi confeccionado ideologicamente por um grupo de intelectuais, filósofos iluministas franceses do século XVIII e XIX.
A Revolução Francesa (1789) não foi um fenômeno espontâneo, pelo contrário, foi preparada tanto política quanto ideologicamente. Para compreendê-la é preciso estudar o que a antecedeu e os seus bastidores. Comprovadamente, existe uma vasta documentação dando conta que pseudointelectuais, falsos filósofos foram "comprados" por um grupo de banqueiros, a então chamada 'burguesia', para criar um movimento ideológico que tornasse possível a derrubada da monarquia, pois não havia outro modo de eles chegarem ao poder.
Os falsos filósofos criaram uma rede de mentiras, notadamente contra a Igreja Católica, os jesuítas, o rei, a nobreza etc, fabricando um clima de insatisfação e revolta, utilizando a literatura como meio de propagação das mentiras. Como foi dito, esse movimento foi criado artificialmente mediante a injeção de dinheiro, contudo, alguns pensadores acreditaram sinceramente no movimento falso de revolta, como foi o caso de Jean Jacques Rousseau, o qual não se tem notícia de que tenha recebido qualquer quantia da dita "burguesia", mas que, no entanto, foi um dos melhores ideólogos desse movimento.
O início do movimento, portanto, foi dado por filósofos medíocres, mas a continuidade dele foi feita por filósofos sérios que passaram a trabalhar para a derrocada da monarquia e da Igreja. Dentro da ideologia Iluminista, portanto, está embutida toda uma maneira de se contar a história que não é aquela acontecida, mas feita de modo que instaure a revolução, que mude o status quo.
Naquela época, a imprensa acabara de ser inaugurada, os jornais eram raros. Mas, uma técnica bem sucedida, inventada por Christoph Friedrich Nicolai, cuidou de propagar com sucesso a ideologia iluminista: as feiras de livros. Com o crescente interesse da população pelos livros, Nicolai passou a organizar as feiras, porém, selecionava os livros que seriam postos à venda, p. ex., se o livro era contra a Igreja, contra a monarquia, se ele pregava o materialismo, o ateísmo era escolhido, caso contrário, não. Isso fomentou o movimento revolucionário.
Historicamente, sabe-se que o rei da França convocou os Estados Gerais, o parlamento, para resolver um problema referente aos impostos, pois a Coroa estava indo à falência. Uma vez reunidos, surpreendentemente, os representantes dos Estados franceses passaram a redigir uma Constituição, planejando a derrocada da monarquia.
Deste modo, por causa das técnicas aplicadas: investimento em escritores para que produzissem material contrário à Igreja e à monarquia, e a difusão desses livros nas feiras idealizadas por Friedrich Nicolai, contribuiram de maneira decisiva para o surgimento desse fenômeno artifical, em vigor até hoje, que tem por objetivo denegrir a Igreja Católica.
Outro ponto a ser frisado é que em qualquer livro de História existem divisões, classificações das épocas. Essas divisões foram estabelecidas justamente durante o Iluminismo, portanto, imbuídas de ideologia. Cada título atribuído aos períodos da História traz nele mesmo uma valência ideológica: Idade Antiga e Idade Moderna. Entre uma e outra, um período de mais ou menos mil anos no qual o Cristianismo desempenhou um papel fundamental na história do Ocidente.
Com a queda do Império Romano do Ocidente, no século V, após o que a barbárie tomou conta, a Igreja tornou-se a referência cultural na Europa até a queda do Império Romano do Oriente. Ideológicamente era preciso "matar" esse período. Por isso recebeu o nome de "Idade Média", em que havia a razão na Antiguidade, com seus grandes filósofos, seguido por um período de trevas, na qual a razão foi substituída pela superstição, pelas trevas, pelo cristianismo. A partir do século XV, quando ressurge o paganismo, em substituição gradual ao cristianismo, o nome que se dá é "Renascimento", seguido pelo século das Luzes, no qual a Deusa Razão triunfa e surge o Iluminismo.
Ora, esse tipo de historiografia pode ser tudo, menos algo isento, equilibrado. É pura ideologia. Régine Pernoud, grande historiadora medievalista, fala com toda clareza o quanto a Idade Média foi uma época de extraordinário desenvolvimento em inúmeros aspectos. Notadamente na situação da mulher na sociedade que durante toda a Idade Antiga nada mais era uma "coisa", propriedade do pater familias, do pai de família, do marido, o qual tinha o poder de matá-la, caso não estivesse satisfeito.
Ora, o cristianismo mudou radicalmente essa visão. Nele, a mulher adquiriu dignidade semelhante a de seu esposo, aliás, estudos sérios comprovam que o cristianismo tornou-se popular justamente porque as mulheres perceberam que a conversão dos esposos os impedia de matá-las, por isso elas se empenhavam para que eles aderissem ao cristianismo.
Na Idade Antiga jamais se ouviu falar de uma mulher reinando, já na Idade Média ela era coroada junto com o Rei. Muitos feudos eram comandados por abades e muitos por abadessas. Foi o cristianismo que, olhando para a dignidade da mulher, colocou a Virgem Santíssima como Rainha do Céu e da Terra, fornecendo um instrumental espiritual para que se compreendesse a dignidade da mulher.
Como Renascimento a mulher é novamente coisificada perdendo a sua dignidade e importância, justamente por causa da volta do paganismo, da visão antiga, do pré-cristianismo. A esposa do Rei não é mais coroada como rainha, em geral, as mulheres se tornam objetos de desejo sexual, inclusive escravas, pois foi justamente no Renascimento que a prática escravagista retornou. Na Idade Média não havia escravos, mas tão-somente o servo da gleba, que não era propriedade do senhor feudal, mas mantinha com ele uma aliança: impostos em troca de proteção militar.
Portanto, o Renascimento significou um apagar-se das luzes e não um retorno das luzes. Apagaram-se as luzes dos valores cristão que plasmaram toda a cultura da Idade Média. É preciso, deste modo, entender que toda a historiografia contrária à Igreja Católica foi confeccionada quase que totalmente por várias ideologias cuja finalidade era e é derrubar a Igreja, detendo a influência dos valores cristãos na sociedade, a fim de dar trela livre ao paganismo que reina na cultura atual.
Precisamos conhecer uma história da Igreja baseada na verdade dos fatos, dentro de uma acurácia, uma precisão dos fatos históricos relatados enquanto tal, e depois, uma interpretação desses fatos à luz da fé. Mesmo quando a verdade histórica for dolorosa, pecados de papas, infidelidades, traições, heresias, lutas internas, tudo isso deve ser conhecido, mas sempre tendo em vista a Igreja de Cristo que, justamente por ser "a Igreja de Cristo", desde o início é perseguida até mesmo internamente.
A carne, o mundo e o demônio são os três inimigos do homens e também da Igreja. Existe a força da concupiscência nos membros da Igreja, existe a mundanidade dentro da Igreja e também existe a ação demoníaca. Mas não só isso, existe a ação do Espírito Santo, a presença de Graça, a certeza de que Deus conduz a sua Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo previa isso na Última Ceia: "odiaram a mim, odiarão também a vós", (conf. Jo 15,18).
Conhecer a História da Igreja é conhecer o amor de Deus na história da humanidade, mas também o ódio que marcou e ainda marca a Esposa de Cristo, chagada, que segue o caminho de seu divino fundador: a Sua Paixão e Crucifixão. A esperança do cristão é de que haverá um dia a ressurreição e se verá a Esposa descer do alto, quando então todos serão um só com Cristo. Será a escatologia, o fim da história da humanidade e o fim da História da Igreja.

Fonte: Pe Paulo Ricardo de Azevedo Junior

sábado, 3 de janeiro de 2015

JOVENS CONECTADOS

Quando você quiser informações sobre o trabalho pastoral com a Juventude a nível nacional (CNBB) acesse o site www.jovensconectados.org.br. Este é o canal da CNBB para a juventude no Brasil. Além do site existe também a fanpage “Jovens Conectados” no Facebook.
Portanto, se você desenvolve qualquer trabalho pastoral com a juventude em sua comunidade, paróquia ou diocese, você não pode estar desconectado desses dois canais, porque é ali o ambiente onde podemos partilhar os trabalhos que realizamos e conhecer outros trabalhos feitos Brasil afora (e fora do Brasil). Então, curta a página no facebook e adicione o site aos seus favoritos.

Mas por que toda essa propaganda sobre os “jovens conectados”?

É que nas minhas frequentes visitas ao site e nas constantes inserções no meu feed de notícias do facebook, tenho conhecido quanto trabalho frutífero vem acontecendo no nosso país, protagonizado pela nossa juventude. Iniciativas que vão de encontro a tudo o que os últimos papas exortaram nas JMJs e, mais atualmente, ao que o Papa Francisco pede na Evangelii Gaudium.

E (detalhe interessante) quase a totalidade dessas iniciativas não partem lá de cima (CNBB), mas são sementes plantadas num canteiro bem menor – as comunidades paroquiais, de onde suas mudas são compartilhadas com outras e outras comunidades, até atingirem um vulto bem maior, e serem acolhidas pela instância maior e sugeridas a todos os recônditos paroquiais do país.

Isso derruba por terra o argumento de alguns de que: “não podemos fazer muita coisa, pois temos que esperar as orientações do nacional”. É claro que temos que estar em comunhão com as instâncias superiores (diocese, regional e CNBB), da mesma forma que não podemos deixar de lado  nossos projetos para uma Igreja mais missionária e acolhedora, na angustiante e exaustiva espera gerada por uma burocracia desnecessária ou pela inércia de agentes dessas instâncias superiores. Esta espera por vezes contribui para que percamos o ardor missionário e a alegria da evangelização.

Minha intenção ao escrever este artigo é semelhante a dos artigos anteriores: atentarmo-nos à responsabilidade que temos com a evangelização da juventude, e de como estamos deixando passar um tempo propício para uma pesca substancial, mantendo-nos no conforto e segurança da margem, sem vontade ou coragem de avançarmos para as águas mais profundas. Este conforto e segurança se contrapõem ao que o próprio evangelho propõe, ao mesmo tempo em que testemunha contra nós, pois mostra como evitamos os desafios da nova evangelização e as intempéries de um mar desconhecido.

Será que o Cristo que vive em nós (Gl 2, 20) ou o Espírito Santo que habita em cada um (1Cor 6, 19) podem se render à nossa estagnação e ao nosso medo?

Entretanto, tenho visto nos últimos anos, com alegria, o empenho e o trabalho de alguns agentes que se dedicam ao trabalho com a juventude, as boas intenções e os belos projetos. Mas tenho visto também a dificuldade que encontram pelo caminho, principalmente no que tange à realização desses projetos, quer por falta de parceria de outros setores e pastorais, quer (o que é pior) pela pouca atenção de alguns pastores.  Volto a citar o apóstolo dos gentios, quando ele indaga aos coríntios (1Cor 1, 13) se Cristo está dividido, ou se não fazemos todos parte de um mesmo e grandioso projeto.

Não deixemos que os pequenos interesses de cada segmento comprometam o interesse maior e comum, mas unamo-nos quais membros de um mesmo corpo em benefício da vida da Igreja. E aqueles que tem o múnus de pastorear o rebanho, não poupem esforços e recursos para proporcionar a realização de toda e qualquer atividade que tenha como objetivo o anúncio de Cristo.

E aos agentes que dirigem e orientam os trabalhos com a juventude, vale a pena convidar a rever alguns trabalhos e seus frutos. Pelas mídias sociais é possível perceber a formação de pequenos clãs ou tribos, tipo “família AT”, “família ZJ”, ou “família FJ”, ou outras. Isso é bom e salutar desde que não se preste ao infeliz propósito de provocar divisão e contenda intra eclesial, mas que, ao contrário, se constituam em pequenos organismos que, em unidade, promovam a inculturação cristã nas diversas realidades juvenis.

Que 2015 seja o ano em que as pequenas (porém em constante crescimento) famílias juvenis, pastorais e movimentos diversos, orientadores, assessores e pastores, iluminados única e exclusivamente pelo Evangelho do próprio Cristo, possam estar unidos olhando não só para o chão em que pisam (seu próprio “quadrado”), mas ao horizonte da história, que se delineia a cada dia diante de nós com suas mais intrigantes e desafiadoras peculiaridades. Que sejamos uma Igreja em saída (a convite do Papa) nem sempre para os mesmos, conhecidos e confortáveis lugares, mas para as periferias, onde estão principalmente aqueles cuja proximidade nem sempre nos agrada. É lá que Cristo quer estar, e precisa de nós para que O levemos.

Inspiremo-nos e copiemos tantas e belas iniciativas existente pelo nosso país. Desliguemo-nos um pouco da mesmice de todo ano (mesmos discursos, mesmos eventos...) e engajemo-nos em novos trabalhos, novas experiências de vida e evangelização.


E que o Espírito Santo nos conduza a todos, pela vontade soberana do Pai.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

EVANGELII GAUDIUM  -  A ALEGRIA DO EVANGELHO
 SEGUNDA PARTE


A primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco fala da Alegria do Evangelho de Cristo; alegria que se renova e comunica, conforta e suaviza a vida, e que deve ser anunciada mesmo em meio às crises dos tempos atuais.

                Continuando a ler a EVANGELII GAUDIUM, chegamos ao segundo capítulo desta exortação, onde o Papa Francisco nos fala das “crises do compromisso comunitário”. Neste capítulo, “antes de falar de algumas questões fundamentais à ação evangelizadora” – EG 2 - I, 50, o Santo Padre nos convida a um olhar com discernimento evangélico para o contexto social e religioso em que vivemos.  


                Somos convidados, por exemplo, a testemunhar o amor e a misericórdia de Deus em meio a uma grande quantidade de desafios no mundo atual, como a ditadura de uma economia excludente e geradora de desigualdade social, onde é “mais notória a queda da Bolsa de Valores do que a morte por enregelamento de um idoso” – EG 2 - I, 53; ou ainda a nova idolatria do dinheiro, cujo domínio é aceito pacificamente por nós e nossas sociedades, quando a dívida e os respectivos juros “afastam os países das possibilidades viáveis da sua economia” – EG 2 - I, 56. O dinheiro que deveria estar a serviço, é o que governa, colocando Deus como rival de todo um processo de manipulação e degradação do ser humano, criatura amada e a quem Deus planejou a plena realização e independência. 

               O domínio financeiro faz esquecer os grandes ensinamentos que fazem parte da Tradição Católica, como o de São João Crisóstomo que dizia que “não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos” – EG 2 - I, 58.

                A desigualdade social gerada pela ditadura econômica é a causa do crescimento da violência a patamares inacessíveis, tornando-se portanto incontrolável. A segregação social dos grandes centros destrói a tranquilidade, devido à reação violenta daqueles que são marginalizados.

                O Santo Padre destaca ainda a necessidade de evangelizarmos em meio aos desafios culturais, que em certas partes do mundo ainda se apresentam como “verdadeiros ataques à liberdade religiosa ou em novas situações de perseguição aos cristãos” – EG 2 - I, 61. Este tipo de manifestação prejudica toda a vida social, além da religiosa, pois desorienta os cidadãos a engajarem-se em ações em prol do bem comum.

                Mesmo a fé católica enfrenta a realidade da proliferação de novos movimentos religiosos. Estes dividem-se de acordo com suas propostas: uns tendem ao fundamentalismo e outros a uma espiritualidade sem Deus. De um ou de outro modo, reage-se contra o mundo materialista, consumista e individualista, porém sem preencher o vazio deixado pelo racionalismo secularista.

                Entretanto o Papa também alerta para um grande perigo existente dentro da Igreja Católica, que é a “existência de estruturas com caráter pouco acolhedor, em algumas de  nossas paróquias, ou à atitude burocrática com que se dá a resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos nossos povos. Em muitas partes, predomina o aspecto administrativo sobre o pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização”. – EG 2 - I, 63.

                Um outro desafio que os cristãos são convidados pelo Papa  a enfrentar, é o da inculturação da fé. Não podemos cair na armadilha da transculturalidade, que é adaptar o evangelho e a tradição da Igreja às realidades  existentes. Não é o evangelho que precisa ser inculturado, mas as culturas que devem ser evangelizadas, para fortalecer as riquezas que essas culturas já possuem.


                E por último o Papa atenta sobre os desafios das culturas urbanas, convidando-nos a não aceitarmos a ditadura das novas linguagens que vão surgindo dentro de cada sociedade, mas a protagonizarmos uma “evangelização que ilumine os novos modos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite valores fundamentais”. EG 2 – I, 74.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

EVANGELII GAUDIUM  -  A ALEGRIA DO EVANGELHO


 “A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”.

                Com estas palavras o Papa Francisco inicia sua primeira Exortação Apostólica, intitulada Evangelii Gaudium, em latim, A Alegria do Evangelho. No documento, dividido em cinco capítulos, o Papa discorre sobre a Transformação Missionária da Igreja, a Crise no Compromisso Comunitário, o Anúncio do Evangelho, a Dimensão Social da Evangelização e dos Evangelizadores com Espírito.

                No primeiro capítulo o Papa nos convida a sermos uma “Igreja em saída”, e destaca que a alegria do evangelho é uma alegria missionária. O Evangelho, enquanto Palavra de Deus, tem vida própria e não pode ficar confinado, mas deve ser espalhado, semeado. E “a Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando nossa previsões e quebrando nossos esquemas” – EG I, 22. Nesse sentido, a comunidade missionária deve perder completamente o medo e se despir definitivamente de seus preconceitos e “ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” – EG I, 24.

                Entretanto, conforme o própria Papa exorta, para que esta saída aconteça, faz-se necessário uma urgente conversão pastoral, uma inadiável renovação eclesial. Igreja em saída significa também, para o Papa, sair das comodidades pastorais em que estamos mergulhados, ter como ponto de partida o coração do Evangelho, que mostra o Cristo peregrino, o Cristo misericordioso. Da mesma forma também nós somos convidados à prática desta, que é a maior de todas as virtudes – a misericórdia.

                Mas o Papa também entende o quanto as limitações que a natureza humana nos impõe podem comprometer esta saída missionária. Por isso ele discorre longamente sobre isso, mostrando que a missão se encarna na limitação humana, mas é realizada com pequenos passos em meio a tudo isso. Como missionários do amor de Deus, precisamos aprender que esse amor “opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas” – EG I, 44.

                Encerrando o primeiro capítulo, o Papa nos lembra que a Igreja “em saída” é como uma mãe de coração aberto. “Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, deixar de lado a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho. Às vezes, é como o pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para, quando este voltar, poder entrar sem dificuldades”. – EG I, 46.

                Nesse sentido, por razão nenhuma e em qualquer circunstância, a Igreja deve fechar qualquer fresta que possa permitir a entrada primeira ou o retorno de um irmão. E no rol de portas destaca-se o Batismo, a Eucaristia e a Penitência. O primeiro, porque é a porta para todos os outros sacramentos; o segundo – a Eucaristia – porque, segundo Santo Ambrósio de Milão, não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso para os fracos; o terceiro – Penitência – porque é o sacramento da misericórdia de Deus, que não tem memória para os nossos pecados, e nos resgata pelo sangue de Seu Filho.

                Ler a Evangelii Gaudium é conhecer um pouco do pensamento do Papa Francisco, que norteia seu pontificado no amor misericordioso de Jesus e na essência missionária da Igreja.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA

Entrevista concedida por nosso bispo, Dom João Francisco Salm, ao programa "Anunciando a Boa Nova", da RWCTV, falando sobre o mês de setembro, que é o segundo mês temático do ano, dedicado à Sagrada Escritura. Nesta entrevista, Dom João nos ensina os passos para a leitura orante da Bíblia (Lectio Divina)